Nesta quarta (11), o País acorda para escrever mais um capítulo da sua história. Dessa vez, as linhas serão traçadas pelo plenário do Senado, que determinará se a presidente Dilma Rousseff (PT) deverá ser afastada do seu mandato, 24 anos depois de tirar do cargo o ex-presidente Fernando Collor, que hoje é senador. Mas a luta não deverá ser resumida a uma simples votação na Casa Alta. Prevendo mais uma batalha perdida, 51 dos 81 parlamentares já declararam voto favorável ao afastamento, governistas mostraram que estão dispostos a tudo para evitar perder a guerra. Na véspera da votação, o governo entrou com um pedido para anular o processo de destituição da gestora, alegando vícios na sua condução. O recado mais claro foi dado pelo ministro José Eduardo Cardozo (AGU): o governo não vai se render e irá judicializar a questão até o fim. 

A ação será relatada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, responsável pela relatoria da Operação Lava Jato. O mandado de segurança elaborado pela AGU questiona a condução do ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e argumenta que o ato foi “viciado” devido a participação do peemedebista no processo.

Rito
Independentemente da reação governista na Corte, a expectativa no Senado Federal é que a análise da admissibilidade do processo de impeachment movido contra Dilma seja decidida ainda nesta quarta (11) em uma longa reunião com, pelo menos, duas interrupções. A sessão será aberta às 9h da manhã, mas será suspensa ao meio-dia. Os trabalhos recomeçam somente às 13 horas e param, novamente, às 18h. No entanto, a votação somente será iniciada às 19h e seguirá até o veredito final. Cada senador terá 10 minutos para discutir e mais cinco minutos para encaminhar. A expectativa é que 60 senadores falem e a sessão dure cerca de 10h.

A votação precisa do quórum de 41 senadores e será feita por meio de painel eletrônico. É necessário apenas maioria simples para aprovar o afastamento da petista, ou seja, 41 votos a favor. Pelo menos 51 dos 81 senadores já declararam ser favoráveis ao afastamento. Caso seja aprovado, o processo será formalmente instaurado e Dilma ficará 180 dias afastada de suas funções. O vice-presidente Michel Temer assume de forma interina até o julgamento final da Casa Alta, que será conduzido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Se o pedido for reprovado, o processo é arquivado. 

O esforço dos governistas é evitar que a abertura do processo tenha 54 votos, placar necessário para aprovar o afastamento no julgamento final, previsto para setembro. O pedido de afastamento assinado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Junior e Janaina Paschoal tem como base as chamadas pedaladas fiscais e a abertura de créditos suplementares sem autorização do Congresso, que teriam ampliado os gastos em R$ 2,5 bilhões.