O Senado Federal vota, nesta quarta (11), a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e a probabilidade, diante da atual conjuntura, é que a presiden­­­­te seja afastada e o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assuma por, ao menos, 180 dias. Mais do que a própria base jurídica do processo - pedaladas fiscais e liberação de decretos suplementares sem autorização do Congresso Nacional -, que é questionável, o Governo Dilma paga pelos erros da articulação com o Congresso Nacional.

O termômetro desta relação foi o próprio processo de impeachment. Após meses de ameaça, o presidente - atualmente suspenso - da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acatou o processo em 2 de dezembro de 2015 e este foi aprovado, pelo plenário, em 17 de abril de 2016 - pouco mais de quatro meses depois. O Governo, todavia, não conseguiu obter os 172 votos (de 513 deputados) suficientes para barrá-lo. Ao ser pressionado para postergar o processo no Senado, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), destacou que a base governista falhou na Câmara e a tendência seria de derrota na Casa Alta e que ele nada poderia fazer.

Neste ínterim - entre abertura do processo e votação na Câmara -, nem mesmo o modus operandi tradicional de ofertar cargos - aliás, Temer repete o modelo - foi suficiente para angariar o apoio de indecisos ou de manter os aliados em sua órbita. O vice-líder do Governo na Câmara, deputado federal Silvio Costa (PTdoB), confessou, dias atrás em entrevista à Folha de Pernambuco, que nos últimos 40 dias antes da votação do impeachment, ao abordar os deputados, o retorno era sintomático: não havia confiança nas promessas do Governo, que não honrava os compromissos assumidos. Aliás, reclamação recorrente nos bastidores.

Após seis anos pecando na articulação política - com 11 atores diferentes em três pastas estratégicas (Secretaria de Relações Institucionais, extinta, Casa Civil e Secretaria de Governo, nova) -, a última cartada do Governo foi a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a ministro da Casa Civil, mas que foi suspensa pela Justiça Federal e segue indefinida até então. Lula ainda tentou articular o apoio contra o impeachment, nos bastidores, mas a falta de confiança na palavra final da petista fizeram muitos declinarem dos avanços governistas. 

O líder do Governo no Senado, Humberto Costa (PT), também admitiu, após a votação do impeachment na Câmara, a falha no diálogo entre Executivo e Legislativo e, que dificilmente, conseguiria reverter um “déficit significativo” de seis anos em 15 dias.